Gattaca’s closing lines
Grizzly Bear
thought in metastasis
Um dia contaram-me uma história.
A história dum senhor que ia a conduzir e que sentiu um impacto na lateral do carro. A culpa tinha sido totalmente do outro.
Ambos os condutores deixaram os seus veículos, para analisar a situação, como manda a norma.
O carro estava amolgado e seria de esperar que trocassem os papéis do seguro ou contactos para mais tarde o culpado pagar o arranjo do carro.
Mas esse senhor, ao observar o outro, notou a sua aparência humilde e o seu semblante triste e preocupado. Depois, reparou que o carro deste tinha mais de 10 anos. Concluiu que a causa do acidente tinha sido, talvez, a distração do homem, a pensar nos seus problemas.
Disse-lhe então para se ir embora, que não fazia mal. Não foi capaz de causar mais um problema ao pobre homem, de lhe pedir o que, aparantemente, não tinha.
E esse senhor não foi de imediato tratar do arranjo do carro. Não por falta de dinheiro, que até existia, mas tinha uma empresa, e, como é natural, tinha algumas dívidas temporárias. Quis saldá-las primeiro. Não queria deixar mal os seus companheiros de negócio.
Pelo meio ainda emprestou uma dada quantia a um amigo em necessidade. Sempre com o carro amolgado, imune a tudo o que podiam pensar, pois havia coisas mais importantes a fazer com o dinheiro.
E esse senhor, que por acaso era meu pai, lá andou uns bons meses, com o carro amolgado, o seu provisório símbolo de bondade.
(Espero ter herdado isto <3.)

Todos os cenários amorosos que imaginei falharam. Podiam ter terminado como nos filmes, podiam ter sido histórias perfeitas. Todos falharam, pelas mais diversas razões.
Se a nível amoroso, tudo o que imaginei falhou (pelo menos até agora), o que me garante que tudo o resto que sonho em tornar-se numa realidade futura não falhe também? Nada.
A vida é mesmo assim. Uma incerteza. O mais provável é sermos só mais um em milhares de milhões, o mais provável é ser só mais uma relação num universo de umas quantas. Mas o que nos garante que seja só isso? Nada, também.
Nada nos garante que sejamos um falhanço ou um sucesso. Contudo, será sempre mais provável ser um falhanço. Mas é a esperança de sermos a minoria, que será um sucesso, que nos move.
A vida resume-se, então, a probabilidades. Mas a sorte tem uma palavra a dizer. É preciso sorte para sermos um sucesso. É preciso sorte para encontrar a pessoa certa no meio das milhares com que nos cruzamos ao longo da vida.
É a sorte que permite que o que, teoricamente, quase nunca aconteceria, aconteça. Apesar dos constantes falhanços que surgem, não devemos ficar desmoralizados. Não são mais do que uma lei natural a mostrar-se - o acontecimento mais provável a acontecer. O sucesso é tão valorizado precisamente por ser mais provável o falhanço.
Muitas vezes os ditos populares têm razão. São anos de experiência acumulados em algumas palavras. Nunca os devemos desprezar.
Por isso, gosto de acreditar que, de facto, “a sorte sorri aos audazes”. Que esta «estrelinha» capaz de mudar tudo só surge a quem realmente merece. A quem enfrenta os desafios da vida com coragem e determinação e crê, com todas as suas forças, que um dia o cenário que imaginou não falhará redondamente.
Pedro